Duas pessoas podem ter o mesmo peso e riscos completamente diferentes para a saúde. O que muda é onde a gordura está guardada. A gordura que se acumula na barriga, principalmente a que fica em volta dos órgãos, é a mais ligada a pressão alta, diabetes, colesterol alterado, gordura no fígado e doenças do coração.
Por isso, a fita métrica pode dizer mais do que a balança.
Por que a barriga importa tanto
A gordura abdominal profunda, chamada de gordura visceral, é metabolicamente ativa. Ela libera substâncias inflamatórias e ácidos graxos que chegam direto ao fígado e atrapalham a ação da insulina. Com o tempo, isso aumenta o risco cardiometabólico, que é o conjunto de riscos para o coração, os vasos e o metabolismo.
O IMC, que leva em conta só peso e altura, não diferencia músculo de gordura nem mostra onde a gordura está. Quem treina e tem muita massa muscular pode ter IMC alto e baixo risco. E alguém com IMC normal pode ter gordura demais na barriga.
A regra simples: cintura menor que metade da altura
A relação cintura e altura é uma das formas mais práticas de avaliar esse risco. Basta dividir a medida da cintura pela altura, na mesma unidade.
- Até 0,49: faixa saudável.
- De 0,50 a 0,59: risco aumentado.
- 0,60 ou mais: risco alto.
Exemplo: uma pessoa com 1,80 m de altura deve manter a cintura abaixo de 90 cm. Essa é a orientação adotada pelo NICE, o instituto que define as diretrizes de saúde do Reino Unido, e vale para homens e mulheres.
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Como medir em casa
- Fique em pé, relaxado, com a barriga descoberta.
- Encontre o ponto médio entre a última costela e o osso do quadril (a crista ilíaca).
- Passe a fita em volta da cintura nesse ponto, paralela ao chão, sem apertar.
- Faça a leitura ao final de uma expiração normal, sem encolher a barriga.
Meça sempre do mesmo jeito e, de preferência, pela manhã. Mais importante do que um número isolado é acompanhar a evolução ao longo dos meses.
A boa notícia: a cintura responde rápido
A gordura visceral costuma ser uma das primeiras a diminuir quando a pessoa começa a se exercitar, melhora a alimentação e dorme melhor, às vezes antes mesmo de a balança mudar muito. Exercício aeróbico e treino de força ajudam, e a combinação dos dois costuma trazer o melhor resultado.
Na prática
Se a sua cintura passou da metade da sua altura, vale uma avaliação completa: pressão, glicose, colesterol, fígado e composição corporal. Com esses dados, dá para montar um plano individualizado e acompanhar a cintura como um dos principais indicadores de evolução.
Use a nossa calculadora de risco pela cintura para ver em que faixa você está.
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- National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Obesity: identification, assessment and management (CG189), atualização sobre relação cintura e altura, 2022.
- Ashwell M, Gunn P, Gibson S. Waist-to-height ratio is a better screening tool than waist circumference and BMI for adult cardiometabolic risk factors: systematic review and meta-analysis. Obes Rev, 2012.
- Ross R et al. Waist circumference as a vital sign in clinical practice: a Consensus Statement from the IAS and ICCR Working Group on Visceral Obesity. Nat Rev Endocrinol, 2020.
- Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO). Diretrizes brasileiras de obesidade, 2016.
Conteúdo educativo. Não substitui a avaliação médica individual. Imagem de capa: Unsplash.


